quarta-feira, 21 de junho de 2017

Órfãos

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"Daniel Day-Lewis vai deixar de trabalhar como actor. 
É enorme a sua gratidão a todos os seus colaboradores e espectadores ao longo de tantos anos. Esta é uma decisão privada e nem ele nem os seus representantes farão qualquer outro comentário sobre o assunto."

Leslee Dart, porta-voz do actor

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Heróis


(a Amélia e a velha casa de Pedrógão Pequeno felizmente a salvo)

sexta-feira, 16 de junho de 2017

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Here



I feel like history on the turntables
Old school to new school
Like nothing ever been realer
On the history of the turntables
I’m the mystery of what’s inside the speaker cables
I’m Nina Simone in the park and Harlem in the dark
I’m the musical to the project fables
I’m the words scratched out on the record label
I’m the wind when the record spins
I’m the dramatic static before the song begins
I’m the erratic energy that gets in your skin
And if you don’t let me in
I’m the shot in the air when the party ends


'The Beggining (interlude)' 
Alicia Keys

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Submissão


"- É a submissão - disse o Rediger baixinho. - A ideia espantosa e simples, jamais expressa anteriormente com essa força, de que o máximo da felicidade humana reside na submissão mais absoluta. Trata-se de uma ideia que eu hesitaria em apresentar aos meus correligionários, algo que eles talvez considerassem uma blasfémia, mas para mim há uma relação entre a absoluta submissão da mulher ao homem, tal como é descrita em História d'O, e a submissão do homem a Deus, tal como é encarada no islão. Repare - prosseguiu ele -, o islão aceita o mundo, aceita-o integralmente, aceita o mundo tal qual ele é, para usar a terminologia de Nietzsche. O ponto de vista do budismo é que o mundo é dukka, desadequação, sofrimento. O próprio cristianismo manifesta sérias reservas: Satanás não é qualificado como «príncipe deste mundo»? Pelo contrário, para o islão, a criação divina é perfeita, é uma obra-prima absoluta. O que é o Corão, no fundo, senão um poema místico de louvor ? De louvor ao Criador e de submissão às suas leis."

terça-feira, 13 de junho de 2017

No respect


Quando os Golden State foram campeões da NBA em 2015 convenceram toda a gente. Já não ganhavam o título há 40 anos e era o basket mais excitante da competição. Splash brothers e ressaltadores feitos de músculo que dominavam a painted area. Puro rock 'n' roll. Ainda não era desta que LeBron James levaria o título para Cleveland - uma cidade que nunca ganha(va) -, ele que regressara a casa só com isso nos olhos.
No ano seguinte, os Warriors teriam que revalidar o título se queriam iniciar uma dinastia. Mas LeBron tinha ficado com a dívida atravessada, e depois de um 3-1 à maior para Curry and friends, decidiu que era hora de a pagar. E em dobrões de ouro. O que se seguiu foi um live or die e o orgulho a mandar em tudo, escrevendo a maior reviravolta da história da NBA. Os Cavs finalmente campeões.
Este ano, quando se esperava que os Warriors fossem reclamar aquilo que tinham perdido, chamaram o irmão mais velho. Kevin Durant, um brutal jogador, que lança de três pontos da mesma maneira como afunda, e que assiste ou ressalta como se fosse Magic e Dennis Rodman ao mesmo tempo, achou que um anel no dedo é que era e, apesar de no ano anterior ter colocado os Golden State à beira da eliminação, resolveu deixar Westbrook sozinho com o trabalho todo pela frente e alinhar pela equipa que lhe podia garantir o êxito: os mesmíssimos Golden State.
Bem, este ano era mero protocolo.
Os Warriors ganharam, é certo, mas não varreram. LeBron, Kyrie e Love não deixaram.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Almada interminável


Almada Negreiros no CAM da Gulbenkian (a nossa Serralves). O artista futuro, que dizia que as pessoas que mais admirava eram "as que nunca acabam". Almada nunca acaba. É interminável.

sábado, 3 de junho de 2017

O ano 50 da Revolução

Leio que o Sgt. Pepper's faz 50 anos. Já sabia. Está tudo a celebrar.
E se é feita agora uma reedição do disco com remix, novas faixas e memorabilia a saltitar, também eu recupero o que escrevi aqui há sete anos sobre o melhor álbum rock da história.
Porque é tão profunda a pegada que me calcou e tão forte a memória que dele tenho, que quando lhe pego, ou oiço, ou vejo, regresso sempre à mesma história.

*

O "Seargent Pepper's Lonely Hearts Club Band" é um marco na história da música pop do século XX. Colocado pela Rolling Stone no topo dos 500 melhores álbuns de todos os tempos.
Mas não é preciso trazer para aqui todas as razões que fazem dele uma obra-prima essencial em qualquer discografia que se preze.
É um álbum fundamental. Para mim que comecei a escutá-lo aos 10 anos, quando o descobri lá em casa no meio dos outros vinis dos meus pais.
Lembro-me que tinha 10 anos porque sempre fui um tipo dado a paixões. E lembro-me de me ter apaixonado por uma miúda chamada Rita.
A Rita andava no 1º ano como eu, mas noutra turma. E um dia, alguém me veio dizer que ela gostava de mim. Fiquei apalermado, porque eu também gostava dela.
Rapidamente, um dos meus amigos fez chegar a notícia ao outro lado e marcou-se um encontro. Na altura não percebi muito bem porque é que tinha que ser assim, mas, ao que parece, íamos conhecer-nos. No recreio, à hora marcada, apareci eu e ela. Uma amiga dela e um amigo meu. Pareciam padrinhos. Ridículo.
Ficámos a olhar um para o outro, com cara de parvos, tenho a certeza, e os nossos amigos a quererem que nos beijássemos ali, à frente deles. Era um espectáculo. Apresentaram-nos e ficaram à espera. 
Não mexi um músculo. Nem sei se disse mais do que o meu nome. Talvez um olá. Tocou a campainha para as aulas e pisguei-me. 
Mas dali para a frente, sempre que a via, dava-lhe um toque na saia, ou na mão, ou soprava-lhe qualquer coisa por cima do ombro. Até que um dia, vendo-a sozinha a passar com os cadernos debaixo do braço, chamei-a para trás dos pavilhões e, sem lhe dizer mais nada, dei-lhe um beijo. Estava apaixonado.
Agora é que entra o "Sgt. Pepper's". Sempre que pensava nela, ia pôr o disco a tocar. No lado B, faixa 3: Lovely Rita
Não sei o que aconteceu à Rita, mas quando deixei de pensar nela, continuei a estudar o melhor álbum rock de sempre. Até descobrir a última faixa do disco. Uma canção dividida em duas partes e composta com dois bocados, um do John Lennon e outro do Paul McCartney.
Just "A Day in the Life".


terça-feira, 30 de maio de 2017

O terceiro filho da Loba



Amo Roma. Desde que lá comecei a ir, tinha 13 anos. Depois voltei. Uma, duas, três vezes. Na última nem podia andar, mas fomos felizes numa Vespa à Nanni Moretti que tornou o mapa mais fácil e permitiu a viagem, desenhando esses e mais esses por todas as ruelas e avenidas. De que saltávamos para um gelato e um café. 
De Roma guardei sempre o prazer pela vida. A alegria e o apetite pelas coisas boas e lindas que ela nos pode dar. Fosse num beco da via Margutta, na 'Fabriano', onde se compram lápis e cadernos, ou numa igreja onde nunca entrámos antes e cujos tectos nos comovem, e que nos salva do calor ocre e húmido antes de nos mandar para uma esplanada no Campo dei Fiori. A Grande Beleza. 
Amo Roma.
E Totti é tutta la Roma. Não precisou de vencer muitos títulos pela nossa amada cidade, mas é. Um campeonato, duas Taças de Itália e duas Supertaças. E essa história acaba aqui.
Não é, então, por isso qu'il Capitano ganhou o respeito da história. Nem sequer por ter sido campeão do mundo, quatro meses depois de uma fractura do perónio de que recuperou contra médicos e prognósticos, só porque queria. Como se antecipasse o destino que o faria desempatar um 0-0 horrível no prolongamento dos oitavos de final contra a Austrália com um penalty marcado ao ângulo. Não. Não é por isso.
É que no mundo-cão do futebol é coisa rara tanta devoção por um só clube e pela cidade que nos criou. No meio de tanto mercenário, de centenas que só vêem fama, instagram, prémios e dinheiro, este príncipe fez diferente e escolheu o amor puro. Que só se tem quando se é menino. Pela terra e pela família. 
E, mesmo que o tivessem dado tantas vezes como acabado, sempre com a alegria de quem ainda brinca no bairro. Sempre com um bocadinho mais de Arte para oferecer... bem, a... todos. 
Agora, com 40 anos (olha outro desta geração), fez o último jogo pelos giallorossi e diz que tem medo. Vai deixar a loba do Capitólio e eu não sei quem fica mais órfão: se ela, se nós, que amamos o futebol e o eterno regresso a Casa.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Dobradinha é triplete

Tenho um amigo que diz que é do tempo em que não se celebravam os títulos do Benfica.
Eu também era desse tempo, não somos ?

... mas há coisas que ainda nos comovem.


(via mano)

domingo, 28 de maio de 2017

sábado, 27 de maio de 2017

Resgate


(Miró, pela Carmo)

Salvaram os Miró. Do naufrágio que Portugal era. Recuperados do desespero para um país que nem sempre entende a sorte que também ocorre na desgraça.
Em Abril, Serralves - que também é casa - ofereceu-nos o pecúlio do resgate.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

o ECOBOL é isto mesmo




in 'Público'

"Carta a um filho após o atentado de Manchester", por JMT

«Ainda há cinco dias estavas no Meo Arena a assistir ao filme-concerto do Harry Potter – tenho pensado nisso nos últimos dias. Aquilo que aconteceu em Manchester poderia ter acontecido em Lisboa. Nós temos a sorte de viver num país pequeno, com uma comunidade muçulmana pacífica e integrada, mas os terroristas islâmicos odeiam da mesma forma ingleses, americanos, franceses, belgas, alemães, suecos ou portugueses – não porque lhes tenhamos feito alguma coisa, mas porque não aceitam a maneira como vivemos. Odeiam-nos por aquilo que somos, e esse é o pior ódio de todos. Para eles, o bem que possas fazer ao longo da tua vida não compensa todo o mal que representas neste momento. É uma ideia horrível, eu sei, mas não desesperes: cada um de nós tem a arma certa para combater essa ideia. O papá, a mamã, os teus manos – e tu também.
Desde logo, perante tanto ódio, a primeira coisa que deves sentir não é medo, mas gratidão. Uma gratidão profunda por teres tido a sorte de nascer em liberdade, num país democrático, onde cada um de nós – e também os partidos, o Governo, os tribunais – acredita que todas as pessoas têm os mesmos direitos, sejam elas velhas ou novas, ricas ou pobres, cultas ou analfabetas, homens ou mulheres, cristãs, muçulmanas ou ateias. Os terroristas islâmicos não aceitam isso. Aliás, eles odeiam tais ideias. Mas foram esses princípios, pelos quais muitos homens bons e corajosos lutaram e morreram ao longo dos séculos, que nos deram tudo o que temos: a paz, a prosperidade, a possibilidade de cada um alcançar os seus sonhos se trabalhar o suficiente e tiver suficiente talento. Eu sei que tu nunca conheceste outra forma de viver, e dás isso por adquirido, mas há muita gente que não tem a tua sorte. Tens o dever de honrar a memória de todos os que lutaram – e ainda lutam – pela liberdade. Outra coisa que tens de fazer, apesar de todo o horror que vês na televisão, é lembrar-te que por cada gesto de ódio há mil gestos de bondade. Por cada terrorista que se faz explodir há mil pessoas que ajudam as outras, que as levam a casa, que lhes dão abrigo, que curam as suas feridas, que as consolam. A esmagadora maioria das pessoas à tua volta é gente boa, que todos os dias dá o seu melhor. Nunca, mas nunca, cedas ao desespero de achar que no mundo a maldade supera a bondade. Se nós hoje vivemos muito melhor do que há mil anos, se hoje em dia o mundo é um lugar muito menos violento, é porque no coração do ser humano a luz ganha às trevas. Pode não ganhar todas as vezes. Pode não ganhar durante muito tempo. Mas a bondade, o amor e a justiça são para nós o que os dentes e as garras são para os predadores – instintos preciosos que preservaram a nossa espécie ao longo de milénios. E nunca te esqueças: apesar do teu tamanho e da tua idade, já tens a arma mais importante de todas para combater estes homens terríveis. Esquece as pistolas e os coletes à prova de bala – a melhor forma de derrotar os terroristas é continuares a fazer o que fazes todos os dias. Não deixares de ir a um concerto porque tens medo. Não deixares de viajar porque tens medo. Não deixares de ser simpática para quem é diferente de ti porque tens medo. Podes sentir medo, claro. Mas a tua coragem deve superar esse medo. Numa guerra onde há quem queira destruir tudo o que amas, continuares a ser quem és e a fazer o que te apetece é a mais bela forma de resistência.»

João Miguel Tavares, in 'Público'

quarta-feira, 24 de maio de 2017

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Say Hello 2 Heaven


Chris Cornell (1964 - 2017)

quarta-feira, 17 de maio de 2017

"Dirt Road Blues" *

«On the Road»

Madruga. Agarra num grupo de CD's e no volante. Quatro horas e três auto-estradas para aterrar em Lamego. Almoça que é aquilo que pode levar. No Tribunal a coisa resolve-se. O sol ajuda. Pé na estrada. Mais quatro horas. E três auto-estradas. Faz telefonemas para não ter sono. Chega a casa e deita-se no chão para arranjar as costas.

* 'Time Out of Mind', Bob Dylan

domingo, 14 de maio de 2017

sábado, 6 de maio de 2017

The Truth always floats on top

As lendas são assim. Paul Pierce retirou-se da NBA. Ao fim de quase 20 temporadas.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Aula Magna


José González canta como se a voz fossem as outras cordas das suas violas que não toca como violões mas como guitarras com o Mi Grave a marcar o compasso e fosse um contrabaixo e as 4 primeiras cordas os faróis do comboio de mercadorias que atravessa o silêncio quente da madrugada onde nós vamos pendurados e a Europa fosse a Argentina nos Estados Unidos.

domingo, 30 de abril de 2017

Sweetheart of the Rodeo

Em 1968, os Byrds revolucionaram o rock.
Quando as grandes bandas viviam mergulhadas no psicadelismo, e quando toda a gente esperava que a música vivesse para sempre imersa no ácido, ofereceram-nos country e Gram Parsons.

sábado, 29 de abril de 2017

estes momentos...



São Jonas é o 13º Apóstolo.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Devils and Dust


«Voltei muitas, muitas vezes para visitar aquelas ruas, percorrendo-as em tardes de sol, noites de inverno e às horas desertas do anoitecer. Descia a Main Street depois da meia-noite a observar, à espera de que alguma coisa tivesse mudado. Olhava para as janelas iluminadas das casas por onde passava, pensando qual delas seria a minha. (...)
Voltava vezes sem conta, em sonhos e sem ser em sonhos, à espera de encontrar um novo final para um livro que tinha sido escrito há muito tempo. Guiava como se aqueles quilómetros pudessem reparar os estragos feitos, escrever uma história diferente, obrigar aquelas ruas a revelar os seus segredos tão bem guardados. Mas não podiam fazê-lo. Só eu é que podia, e eu estava longe de estar preparado para isso. Iria passar a minha vida na estrada, percorrendo centenas de milhares de quilómetros, e a minha história seria sempre a mesma... o homem chega à cidade, dispara; o homem vai-se embora da cidade e afasta-se por entre a escuridão; depois, fade to black. Tal como eu gosto.
Do meu poleiro no alto do colchão, vi as rodas da carrinha atravessarem a cidade, virarem à esquerda para a Highway 33 e ganharem velocidade a caminho da brisa do oceano e da nova liberdade da costa. Com a noite quente a sussurrar-me ao ouvido, senti-me maravilhosa e perigosamente à deriva, com vertigens, tamanho era o meu entusiasmo. Aquela cidade, a minha cidade, jamais me deixaria, e eu jamais conseguiria deixá-la completamente - mas não voltaria a viver em Freehold.»